9 de maio de 2010

Cecília Meireles
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
Beijo e boa semana, pessoal.

9 comentários:

jorginho da hora disse...

Acabei de visitar blog da beti tim e disse a ela que a mulher com alma de poeta ainda é o meu maior sonho de consumo.

Mil beijos!

Márcia(clarinha) disse...

Uau!
Poesia de rasgar carne...linda.

Pois é querida,tenho 4 filhos homens, todos com família e filhos e o mais velho foi escolhido um dos 60 mais jovens cientistas promissores do mundo [com menos de 40 anos] e irá para a China como prêmio, muito orgulho né? Daí ter tanto neto, 11.
Fica com invejinha não, eu empresto, rsss
beijos de lindo dia

tony disse...

"levo o meu rumo na minha mão." Nada poderia ser mais inspirador pra mim, nesses dias :)... ótima semana, beijo!

Bia Pontes disse...

Desencontrar-se também faz parte do encontro, não é minha querida?? Feliz desencontro pra vc, seja pleno.

beijão!

b disse...

Ora...a Cecília...

Jens disse...

Não me importo de morar sozinho. Meu medo é viver sozinho.

Beijo, Cris.

Cris disse...

Jens,

Acho que a grande maioria dos sozinhos tem esse medo e essa possibilidade. Eu também.

Bj

Dalila.F disse...

Cris,o que o Jens disse é exatamente o que sinto pq adoro morar sozinha,mas viver sozinha não dá!
Bjss,menina,bom fim de semana. Ah,postei o terceiro cap no "Desculpe-me...". To te esperando,ok?

O Profeta disse...

Hoje ofereci as cores da minha paleta
A uma amiga na sua dor
Ouvi seu choro ao meu ouvido
No fatalismo do desamor

Hoje o sono acordou-me
A nostalgia agitou suas asas cinzentas
Esqueci no acordar o ultimo abraço
E contei as nuvens que eram tantas


Doce beijo