terça-feira, 8 de dezembro de 2009

de Novo



O ano passou voando .Mais que uma observação lugar comum, um sentimento indefinido de tempo/ano ter escorregado pelos dedos, tempo não vivido em plenitude, como plena é , por exemplo, a maturidade . Mais um ano/tempo buscando a interface justa entre as obrigações pessoais, familiares, profissionais . É a vida plural de cada um e o desafio de degustar cada momento com uma certa competência , uma certa alegria pulverizada nas escolhas e nos resultados dessas escolhas. Só para dar um cheirinho bom . De prazer.

Aos meus amigos daqui , dali e de sempre, desejo um próximo ano pra lá de supimpa. Que em 2010 possamos continuar plantando.E muito. Com rigor e novas técnicas apreendidas da estrada. Sementes novinhas em folha,revigoradas.Mais adubo no velho canteiro dos desejos quase sem viço, vigilância e combate`a praga do conformismo.E que o amor,essa velha raposa, nos contamine, pois só assim a vida se justifica.

Volto no próximo Ano, que de tão novo vai até doer. Podem apostar.

Beijo em cada um. Até.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cada um , cada um


O homem nasce bom e a sociedade o transforma em mau?Lancei esta pergunta em classe. A aula não era de filosofia (longe de mim tal pretensão) , eu queria apenas ilustrar o pensamento iluminista do século XVIII e sua influência no mundo das artes...

Virou uma polêmica só. Ainda imaturos e olhando apenas um só lado da moeda, alguns alunos se exaltavam em argumentos apaixonados de uma sociedade de consumo injusta. E com direito aos discursos populistas de praxe ; uns concordavam com a teoria sem maiores aprofundamentos , sem idéia formada; outros ainda defendiam a máxima " quem é bom nasce pronto", e ponto. Extremismos à parte , eu os observava com prazer .Eram combativos, convictos , muito embora ainda repetidores de conceitos e valores familiares . Teóricos , muitos conservavam velhos paradigmas dentro de sí , como o exemplo da mãe que cria dois filhos de maneira idêntica e , apesar disso, um vira mocinho e outro bandido. Lembrei-me nesse momento das tantas vêzes que por amor uma mãe pode fortalecer e estimular a auto estima de um filho mais tímido e retraído e pelo mesmo amor - e cuidado- reprimir o mais atrevido , sufocando-o. Claro que não serão criados da mesma maneira, embora pareça assim.
Gosto de pensar na individualidade de cada ser. De pensá-lo livre, com sua natureza perturbada ou não, com suas escolhas, caído numa família afetuosa ou não.Gosto de pensar em como somos livres para nos (re)construir quantas vêzes forem necessárias. Livres para deixar ou não os modelos sociais nos modificar. Nos sedimentar. Livre!
Beijos pessoal e uma ótima semana.

sábado, 7 de novembro de 2009

"Bom senso Quae Sera Tamen"

Sempre falo em sala de aula da importância do exercício da flexibilidade tanto para fazer arquitetura como na nossa vida. É o lance de deixar muitas vêzes de lado nossas convicções estéticas, nossos valores,nossas verdades, nossos conceitos , para dar uma voltinha no universo do outro ,procurar observar e entender seus anseios. No caso, o outro é o nosso cliente , aquele que irá usufruir e viver no espaço que projetaremos ( para ele), e porisso mesmo se sentindo no pleno direito de interferir no nosso trabalho.
Difícil, não? Inquietante até. Muitos alunos não conseguem resolver em suas cabeças o impasse , seja pela imaturidade que os autoriza a valorizar somente suas idéias e seus achares , seja pela natureza de alguns de nós , cujo exercício de se colocar no lugar do outro é uma missão pra lá de impossível e até - para muitos - humilhante : "- Professora, mas e se o cliente for brega? Eu que não vou falar que a obra é minha!!!"Reação natural . Falamos de seres humanos e toda sua complexidade. Ser humano que leva tempo para se descobrir e se respeitar e , na sequência, respeitar o outro, ser humano que se torna invasivo facilmente - sobretudo com poder - material ou intelectual.
O importante é perceber e assimilar que a batalha maior entre o quê se tem, o quê se quer e o quê se pode fazer é mais íntima do que contra qualquer ser humano. É a disputa sangrenta entre aquilo que realmente pensamos e aquilo que a sociedade pensa e nos contamina. E o resultado dessa briga interior se chamará decisão . Ou escolha. O que não quer dizer acerto ou sucesso.
Mas isso já é outro papo , para outro dia.

Beijos, lindos e lindas. Que venha a chuva para nos refrescar!!!!!


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quase piegas

Tá, concordo que até posso parecer piegas ou esse texto até parecer doutrinação.Corro o risco assim mesmo. A intenção não é essa mas ,quando o assunto é perdão o fio divisor é muito mais tênue...

Gosto de rever conceitos, sobretudo aqueles gerados a partir da educação recebida ou das influências sociais .Aquelas verdades que nem sempre sabemos se são verdadeiramente nossas ou se estamos cumprindo a tarefa de casa: "-Não seja bobo de ninguém!";"-Defenda-se senão o mundo te atropela!"; "-Se chegar em casa contando que apanhou, vai apanhar de novo!"; "- Dê o troco, meu filho!", e por aí vai.
Temos no cérebro uma memória que registra todos os fatos da nossa vida , por isto quem consegue perdoar não tem que, necessariamente, esquecer da ofensa recebida.Como competentes fabricantes de doenças que somos- sobretudo as da alma- o esquecimento de uma mágoa ou agressão sofrida é um primeiro socorro que dispomos para impedir que a energia ruim gerada a cada instante que se revive o fato aumente a ferida aberta ,que só faz aumentar e acumular sofrimento. E de graça. No entando , precisamos perdoar. O que é legal, na verdade, esquecer , é a mágoa, a raiva ou o ressentimento que o fato gerou, caso contrário o perdão é superficial ou até mesmo ilusório. O apego à ofensa faz o ofendido carregar sozinho a chaga constituída, e o esquecimento puro e simples muitas vêzes é ilusão.É como jogar o pó debaixo do tapete.O perdão é maior. Liberta.
Perdoar é bom para quem perdoa, já reparou?Quem perdoa livra-se de um fardo – o que nem sempre acontece com o perdoado. Mas isso já é problema dele...
Beijão, pessoal.
Boa semana preguiçosa!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Foro íntimo


Estou feliz da vida. O motivo? Foro íntimo. Quero te dizer uma coisa que pensei ,ontem de madrugada após nossa conversa, voltando para casa: Que esse verão não passe em branco pela falta de alguém que te faça uma homenagem de amor e te faça feliz. Felicidade é um desafio a perseguir, sabia?Solitariamente acompanhada . Homeopaticamente conquistada . Muitas vêzes te percebo num surto nostálgico, quase lamento. Saudades do amor aguardado, da juventude fugidia e das irresponsabilidades consentidas.
Pessoalmente , não lamento o que foi . Passado me aborrece. Não vivo de lembranças . Delas tento apenas extrair o sumo . Do aprendizado. Para voltar a errar mais manso. Ou mais brandamente. Sei agora que quando o passado me pareceu melhor foi justamente por ser passado . Ou porque o presente estava meia boca. Quero tudo novo. Sem cachimbo entortando a boca e sem muitos vícios descendo o palco ( de salto ) . Sem tanta curva ( de rio ).
Sei que os momentos especiais do bom passado te soam agora inacabados , incompletos .Havia uma busca velada por certezas .A vaidade é uma raposa quase esperta . Aprisiona . Liberte-se dos formatos e , só para variar e provocar, reinvente tuas escolhas . Dessa forma é que eu também me redescubro, permanecendo o que sou. Valorize o presente. É nele que temos a última chance de um novo plantio . Pode acreditar.
Beijos , lindos, cheiros e muito sol.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Achares e achismos


O pensamento era pra ser a nossa melhor companhia. Pensar nos momentos de liberdade em que pudemos tocar a felicidade, pensar no movimento das pessoas queridas em nossa vida , na plenitude da existência , na força de uma palavra carinhosa, no amor doado ou recebido, pensar no amanhã com esperança, ou até em Deus num dia especialmente conturbado, são maneiras de lidar com as emoções e adequá-las ao raciocínio - para não virar "viagem". São os olhares. Os achares.
Todavia, todo bom pensamento corre o risco de ter seu lado b , seu primo indigente , o achismo . É por conta dele as grandes cag..., digo, besteiras sem solução. Por impulso. O achismo é uma fofoca interior. Uma cilada. Um boicote no espírito. Achismo do que o outro estaria pensando, fazendo, querendo dizer ; achismo dos porquês e dos porissos . Dos "Ah ah, já sei !". Um inferno na terra. Da verdade mesmo ninguém sabe - mesmo jurando que sim - o que vai na cabeça do outro. Nem mesmo quando esse outro diz o que vai nela (quando vai alguma coisa nela ). Ele pode estar omitindo, mentindo, também (se) achando , ou até não sabendo.Somos humanos demais , né não, Herr Nietzche?
Substituir achismos por achares é terapêutico . Os achares são condicionais, inteligentes, elegantes, racionais. Em relação ao amor são poéticos, quase filosóficos. Não fabricam compulsão nem ansiedade , eles resultam da observação misturada ao raciocínio e à intuição. É a consciência da possibilidade do não. Os achares refrigeram o espírito.
Podem acreditar.
Boa semana, gente querida.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Busca

É um homem lindo. Também por fora. Maduro, apesar da pouca idade.Menino ainda, como muitos. Como poucos.No aniversário da mulher escondeu o presente para que ela o procurasse. Ela estranhou, mas, gostou da brincadeira. De repente tornara-se ainda mais bonito aos seus olhos. Uma meiguice de criança misturada ao adulto responsável e sério demais. Enquanto ela buscava o presente ele a observava com amor e voltava no tempo. Sua mãe fazia o mesmo no dia da sua festa : escondia o brinquedo e fazio-o percorrer as dependências da casa ,monitorando-o "-Tá quente!"; "- Agora esfriou!"; "-Tornou a esquentar!" . Ele amava aquilo. Quanto mais demorava a achar o brinquedo , mais saboreava o momento .Vibrava . Os presentes sempre eram grandes, não necessariamente caros. Obrigatoriamente criativos. Presentes que lhe faziam companhia no tempo seguinte. Com eles construia sua própria felicidade.
Hoje, não costuma valorizar as coisas fáceis. Precisa construir situações, descobrir momentos, precisa (buscar para) ser feliz .
Como o menino.
Beijão, pessoal! Boa semana.

sábado, 10 de outubro de 2009

Enquanto valer a pena


Mudei a fachada, fiz alguns reforços de estrutura, reorganizei ambientes, alterei o significado das cores . Tal e qual faço em arquitetura .Para atender um desejo , uma necessidade, uma função. É primavera e a vida recomeça na natureza. Eu também, de quando em quando , preciso recomeçar . Rever conceitos, me movimentar , sair da acomodação . E nada melhor que exercitar essa minha "sina" na companhia de pessoas queridas , que de alguma forma já fazem parte do meu dia a dia há quase 5 anos . Tudo em nome do prazer.

Olá, pessoal . Sejam bem-vindos!