Sempre falo em sala de aula da importância do exercício da flexibilidade tanto para fazer arquitetura como na nossa vida. É o lance de deixar muitas vêzes de lado nossas convicções estéticas, nossos valores,nossas verdades, nossos conceitos , para dar uma voltinha no universo do outro ,procurar observar e entender seus anseios. No caso, o outro é o nosso cliente , aquele que irá usufruir e viver no espaço que projetaremos ( para ele), e porisso mesmo se sentindo no pleno direito de interferir no nosso trabalho.Difícil, não? Inquietante até. Muitos alunos não conseguem resolver em suas cabeças o impasse , seja pela imaturidade que os autoriza a valorizar somente suas idéias e seus achares , seja pela natureza de alguns de nós , cujo exercício de se colocar no lugar do outro é uma missão pra lá de impossível e até - para muitos - humilhante : "- Professora, mas e se o cliente for brega? Eu que não vou falar que a obra é minha!!!"Reação natural . Falamos de seres humanos e toda sua complexidade. Ser humano que leva tempo para se descobrir e se respeitar e , na sequência, respeitar o outro, ser humano que se torna invasivo facilmente - sobretudo com poder - material ou intelectual.
O importante é perceber e assimilar que a batalha maior entre o quê se tem, o quê se quer e o quê se pode fazer é mais íntima do que contra qualquer ser humano. É a disputa sangrenta entre aquilo que realmente pensamos e aquilo que a sociedade pensa e nos contamina. E o resultado dessa briga interior se chamará decisão . Ou escolha. O que não quer dizer acerto ou sucesso.
Mas isso já é outro papo , para outro dia.
Beijos, lindos e lindas. Que venha a chuva para nos refrescar!!!!!




