14 de junho de 2009

Escolhas I



"...Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima..."
Paulo Vanzolini ( Cantada por Noite Ilustrada)

Era assim, não havia escapatória : ou éramos ingênuas sonhadoras ou ousadas desbravadoras . Muitas da primeira casta se orgulhavam do trunfo nas mãos (???) chamado virgindade , algumas vêzes arrastado a duras penas até o casamento ; o segundo tipo fazia (quase) tudo o que queria e não deixavam , em busca do prazer e da tal felicidade . Por uns amassos valia a pena pular o muro do colégio ; como valia beber escondido no baile só para tomar coragem e encarar aqueles olhos insistentes que desnudavam tão facilmente os decotes dissimulados ; valia a pena fumar no banheiro para transgredir a ordem. Haja balas de hortelãs!
A "pureza" perdida - ou achada - entre muitas paixões , fosse dentro de um fusca , na matiné ou no portão da melhor amiga também valia a pena. Aconteciam dramas também, nem tudo eram flores , rebeldia e mpb : uma gravidez inesperada transformava-se num caos familiar e social , só amenizado com um casamento às pressas , para remediar o dano e recuperar a honra da moça . Haja lágrimas!
Com os rapazes não era muito diferente , eram dois os (bio)tipos : adoráveis e atrapalhados tímidos para casar , atrevidos para cobiçar . Fora disso era o limbo da indefinição. Era a trupe dos indefinidos, dos sem sal, ora querendo ser de um jeito, ora precisando ser de outro. Haja intuição!
Era assim .Comparava-se um amor com outro para desmerecer quem se amava. Falava-se das qualidades de quem não se queria mais `aquele com quem se estava feliz.
E nesse clima equivocado, muitos casamentos aconteceram . Casamentos cruzados, pode-se dizer : cartesianos sonhadores com indisciplinados boêmios. O destino uniu - e o divórcio libertou - os improváveis .
Nesse laboratório chamado vida , não se morre de intensidade.

Boa semana, pessoal.

20 comentários:

Jens disse...

Oi Cris.
Ah, as indefinições, desejos, angústias, alegrias, excessos e descobertas da juventude... Bom que sobrevivemos todos, né? Alguns melhor do que outros. Você, seguramente, no primeiro caso. Continuamos por aí, pagando em suor felicidade.
Um beijo.

Conceição Duarte disse...

Pois é, o importante, é que entra o samba e sai o samba da avenida, e estamos aí na parada da vida!
Lindo,
bj CON

Jacinta Dantas disse...

É menina,
agora voltei lá nos meus sofridos, belos e angustiantes tempos da adolescência. E, aqui estou, revendo em seu texto, tão claro, tão simples, o caminho pelo qual trilhamos nossa incessante busca de felicidade. E, sobrevivemos. Sempre.
Beijo

Edu e Mau disse...

O mundo gira e a lusitana roda. Tudo igual, mas diferente. Tudo igual, inconsequente.

Beijo!

Márcia(clarinha) disse...

Tudo valia a pena se era para ser feliz, tudo valeu a pena se deixou marcas de saudade, tudo vale a pena se ainda pode-se transgredir, tudo valerá a pena se vivermos e eu VIVO!
Me achei ali no banheiro fumando e chupando balinhas de hortelã, me encontrei nuns amassos cabulando aula, me vi suada depois de dançar muito nas domingueiras.
Ah! se meu fusca falasse, rsss.

Adorei as lembranças, continuo sonhadora e extremamente apaixonada e tesão mora na minha pele ;)

lindos dias flor querida
beijos

Janaina Amado disse...

Delícia de texto, Cris!

DO disse...

O que mais gosto nesta vida é que tudo é muito imprevisível,CRIS. E o que mais detesto tambem,rsss

Beijos!!

Georgia disse...

Cris, muito bom.

Ao ler balas de hortela, ai que saudades das balas no Brasil de hortela.

Bjus e uma linda semana pra você.

Adelino disse...

Cris, há quanto tempo!!!
Muito bem abordada a questão dos costumes não tão antigos.
Sou daquele tempo, e fico às vezes pensando como, apesar de tantos dramas, as coisas eram melhores, mais românticas, mais valiosas, mais emocionantes. Pensava-se, ensaiava-se dez, quinze vezes a melhor maneira de convidar uma mocinha para ir ao cinema. E se ela não aceitasse? E se aceitasse, quanta satisfação pela vitória obtida sobre a nossa timidez. A simples resposta afirmativa da nossa eleita já era motivo de regozijo (palavra antiga esta...).
Nao sei, mas acredito que a juventude moderna anda meio perdida com tanta liberdade de comportamento. Tenho certeza que muitos, talvez a maioria não saiba o que fazer dessa liberdade excessiva.
É um bom tema para debate. Gostei da sua crônica. Valeu.
Beijos.

jorginho da hora disse...

Pois é, cris, adoro quando vc arrisca escrever sobre a vida. Faz isso com notável humildade e perspicarcia.
Minhas memorias sobre a adolescencia são, digamos impublicaveis, por isso nem me arrisco. No entanto, foi também cheia de equivocos e romance. A decada que eu vivi essa fase foi mais a de oitenta. Esta época já não era tão romantica assim. Viviamos o fim do sonho e em salvador, mais especificamente, o marasmo assombrava nossas almas.
Olha, obrigado por demostrar o quanto vc gosta da minha presença no seu blog e principalmente por gostar de visitar o meu. De vez em quando dou uma sumída, mas como sempre, acabo voltando ao local do crime. Mulheres como vc são sempre bem vindas ao meu "album de fotos."

Mil beijos, doce dama !

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

A vida é um incêndio:
nela dançamos,
salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

(Mário Quintana)

Desejo um lindo resto de semana com muito amor e carinho.
Abraços Eduardo Poisl

Cris Animal disse...

Oi Xará!
Voltando ao meu blog pela leitura de meus amigos, matando a saudade!

É...a vida e seus imprevistos e seus caminhos e isso é que nos movimenta e mesmo que às vezes possa doer, é sempre vida e suas diversas escolhas.

beijo grande

tony disse...

e a minha geração faz o mesmo com fronteiras maiores [literalmente, pois agora o mundo está "pequeno", inversamente proporcional as opções] e pais piores [pois todas as marcas criaram ambientes "meu filho não vai passar pelo q passei", em alguns casos, infames]. É a vida, e como diz uma velha frase [que estou repetindo bastante ultimamente (rs)] a gente nunca escolhe como vai se sentir, mas pode escolher o que vai fazer a respeito. Beeijos!

Marcelo F. Carvalho disse...

Tiro certeiro, Cris!
Lindo texto poetizado.

Cláudia Pit disse...

Oi Cris, td bem?
Estou com saudadesssssss viu,
Estou aprendendo a viver de "escolhas" e tentando aceitar os resultados..rsrs
bjos
Bom final de semana
Cláudia Pit

Ery Roberto Correa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ery Roberto Correa disse...

Eu, indisciplinado boêmio, me casei com uma cartesiana sonhadora. E deu no que deu. Continuo aqui, apesar de agora um perfeccionista, um ser absolutamente diurno - pelo menos na rua (em casa, madrugando não é boemia, é insônia) - e solteiro feliz! Ah! Em todos os finais de semana eu caso. Com a mesma mulher. Quando soa a trilha do Fantástico, quando acaba a última mesa redonda, o sapo reassume o lugar do príncipe e eu volto a ser solidão.

Mas é tudo questão de escolha. Você tem razão. A mesma que me faz, galhardamente, aceitar a realidade.

Beijão moça querida.

babyboombers.blogspot.com disse...

cris, boas horas, minutos e segundos.

somos de uma geração de meninas lindas por dentro e por fora, ninguem podia ser malvada ou ter cabelos crespos, talvez por tudo isso sempre visitei todos os quintais, adorei o texto, andei um pouco distante do pc, da política, dos amigos virtuais, mas estou aqui, bom ter vc por perto - beijão UCA

Grace Olsson disse...

Concordo coma Con.

Crys..lembro que, nos anos 80, eu propus ao noivo morar junto..sem casar...O que ouvi dle foi um sermao...3 anos depois, o casamento estava desfeito..e eu likvre para voar....

MENINA, CASEI A PRIMEIRA VEZ..com o segundo namorado..Nao sabia nada da vida..Mas depois, eu namorei foi muito.Só à partir dai, eu conheci a vida..
è muito bom ser dona do próprio nariz....do próprio corpo....kkkkk

bjs e dias felzies

Tânia Defensora disse...

Oi Cris!
Vim matar saudades.
Gostei dos posts, mas desse, em especial.
Como a sociedade era hipócrita não?
Acho que evoluímos um pouquinho né?
Beijo grande.