8 de junho de 2009

Cada emoção no seu quadrado...


Desde que me enveredei pelos caminhos blogosféricos , há quase 4 anos , eu não ficava tanto tempo distante ou, presente na intenção mas com a cabeça e com o espírito em outro lugar. Nem mesmo nas fases dos chiliques carentes , quando dava o pretenso tempo no blog ; eu sempre retornava antes do pretendido , ansiosa por me sentir procurada, validada , menos solitária...

Muita coisa aconteceu nesses tempos refletidos aqui . Aprofundamento interior, dependêncoia dos meus pais e independência do meu único filho , conflitos, amores , reciclagem profissional e até enfrentamento dos diversos demônios acumulados no peito e na alma . Nesse contexto o mundo virtual caiu-me como uma luva : me deslumbrava , me encantava , me apaixonava; aqui eu odiava, chorava , dava risada ; por aqui eu mandava recados, cutucava quem eu não gostava, fazia discursos como se estivesse num banquinho em praça pública , disputava a atenção de quem eu admirava, feito uma adolescente mimada. Me sentia egoísta por não poder fazer nada contra a miséria do mundo ou imperfeita demais por sentir ciúmes quando me apaixonava . Precisei passar por crises internas para entender que certamente quando levantava bandeiras estava mais propensa a ser aquilo que condenava, como a soma de dois e dois, como o macaco sentando no rabo. Aprendi que a graça e a ironia escondem sofrimentos e a libido desenfreada esconde a não aceitação. Ou não. Embarquei em quixotescas e prolixas conversas humanitárias sem perceber que eu podia rapidamente melhorar a vida do catador de lixo da minha rua , caso eu separasse e direcionasse o lixo para ele. Não atinava que eu podia salvar a vida de um acidentado se doasse sangue regularmente em vez de me exaltar com o trânsito da minha cidade através de um texto inflamado. Que teria mais saúde se parasse para almoçar, parasse para dormir . Era cômodo e muito mais fácil me relacionar assim, conhecer gentes , experimentar emoções, dar vazão às minhas curiosidades de forma menos tímida, desafiar meus preconceitos, me testar e me colocar à prova, virtualmente.Sem sair de casa , sem enfrentar filas,sem comprar roupa nova , sem precisar estar bem . Era como ter uma vida estepe,sempre pronta e cheia quando a outra se esvaziava . E as frustrações se resolviam rapidamente, bastava deletar o causador.

Valeu cada instante vivido aqui.Intenso e profundo , como preciso que seja cada instante da minha existência. Conheci pessoas que jamais quero me distanciar, ao contrário, a promessa de um cafezinho é dívida, né não, Adelaide? Através de você, linda , falo a todos que estão linkados no "garimpo",todos com a mesma importância afetiva, alguns com mais intimidade circunstancial. Parece uma despedida? Só parece. É um recomeço apenas. Esse espaço se tornou importante demais para acabar. Só que ele não é mais minha única forma de expressão e comunicação , além do trabalho e da família. Não é mais a única forma de trocar afeto. É pouco. Deixo a vida real emergir além do profissional, do familiar ; aquela vida real feita de toques,de olhos brilhantes, de esperas, de beijos , cheiros, gostos, sorrisos , mãos estendidas , abraços apertados e quentes . Vida real onde está o homem amado .

Até mais , pessoal. Beijo e cheiro. Vou visitá-los logo. Um por um...

13 comentários:

Edu e Mau disse...

Que bom que o blog cumpriu seu papel sem se tornar um vício ou dependência. Que seja mais uma ferramenta, então, pra gente acompanhar sua felicidade. Beijos!

Ery Roberto Correa disse...

Você expõe de forma verdadeira o meu receio da virtualidade. A gente cruza caminhos, escolhe uma direção - em nosso acaso foi a amizade e a confiança - se acostuma com encontros que ficam rotineiros e que de tão bons passa a não saber viver sem eles, depois se vê novamente com aquela sensação de solidão.

Se alguém pensou que não é bem assim, porque é só continuar e encontrar/reencontrar outros bons amigos que tudo fica bem, enganou-se! A lacuna de alguém querido só ele próprio preenche.

Cris estarei sempre à sua disposição para o que precisar. O vazio que você me deixa, não porque vai embora, mas porque talvez seja menos frequente, a partir de hoje tem um sinalizador: "reservado". Onde esta etiqueta vai ficar pendurada? Você sabe. No meu coração. Ficarei torcendo para que você volte aqui algumas vezes, pois sei que este negócio de "Esse espaço se tornou importante demais para acabar, tem um sentido bem contraditório. Infelizmente é assim.

Beijos. Aproveite a nova fase e faça dela os melhores momentos da sua vida, pois qualquer decisão de um amigo tem minha consideração absoluta. Mesmo quando dói.

adelaide amorim disse...

Cris, nunca um blog serviu pra dizer tanta verdade.

Faço um pouco minhas as palavras dos comentaristas anteriores Edu e Mau e Ery, este também um amigo virtual que estimo e respeito.

Amor e amizade "quentes" precisam de presença real, são mais que nomes ou rostos que a gente sabe que existem em algum lugar.

Às vezes, é verdade, essas amizades distantes têm tudo pra se tornarem reais, e acredito que esse seja o seu caso e o de alguns outros amigos virtuais. Já me aconteceram encontros pessoais que começaram assim, por meio de blogs, comentários, e se tornaram presenças. Torço para que isso possa acontecer com a gente.

Mas enquanto não acontece, podemos continuar falando de coração a coração, porque as palavras são mais que letrinhas juntas.

De todo jeito, seja muito feliz, porque a gente nasce pra ser feliz, e quando se quer bem a alguém, é esse nosso primeiro desejo.

Beijo beijo e até breve!

Jonice disse...

Sim, minha querida, você cuidou muito bem deste dia.

E esse seu jeito verdadeiro e limpo de sintetizar quase quatro anos de passeios blogosféricos é simplesmente delicioso, Kikote.

Viva! Viva! E viva! A vida real onde está o homem amado!
Viva a vida virtual que te trouxe alguns amigos agora tão queridos!

Have a sweet nice week, dearest :)

Beijo

Bia Pontes disse...

BRAVÍSSIMO!!!

Vá e volte com Deus, pessoa admirada.
grande beijo.

Bete disse...

Cris querida, o seu desabafo demonstra de certa forma os conflitos vivido por cada um de nós.
Estou sempre por aqui, minha doce amiga.
Bjs no coração

Jens disse...

Belo, verdadeiro e comovente Maria Cristina. Por vezes, a vida virtual satisfaz, mas a realidade em carne, osso, sangue músculos e paixão é sempre mais completa, mesmo quando a intensidade das emoções não segue a rota que planejamos e desejamos. Que a tua nova trilha seja pontuada por alegria, felicidade e a revelação diária de saber "a dor e a delícia de ser o que é".
Pro alto e avante. Estamos por aí.
Um beijo.

Márcia(clarinha) disse...

E não há no mundo lugar melhor que ao lado do homem amado, feliz de quem o tem tão perto...

"...Aprendi que a graça e a ironia escondem sofrimentos e a libido desenfreada esconde a não aceitação..."
Também eu querida, também eu, sorte nossa e dos que nos cercam, que despertamos a tempo de abusar da realidade e gozar todo prazer que o toque de pele e olho-no-olho nos oferece.

Vá em frente, respire a realidade lembrando dos momentos de virtualidade, onde inegavelmente, também aprendemos e somos felizes na esperança de um dia fazê-la real.

lindos dias flor querida
beijos carinhosos

DO disse...

Pois eu fiquei muito feliz com a novidade. Que esta tal FELICIDADE faça morada por ai. Beijão,CRIS!

Aninha Pontes disse...

Cris meu bem.
Menina linda que aprendi amar e admirar. Admirar por essa sua seriedade e maturidade com as coisas.
Sabe que nossas atitudes nos traz reações.
E a sua preocupação, a sua felicidade hoje é fruto do seu amor pelas pessoas.
Amamos você, e continuaremos por aqui, te trazendo carinho, colo, e querendo ver sempre seu sorriso.
A nossa cerveja continua de pé.
Beijos meu bem.

Flor ♥ disse...

Cris, a virtualidade é um perigo a partir do momento que deixamos que se torne nossa realidade... fora isso, gosto da interatividade que conseguimos através dos blogs, dessa forma de expressão certamente tão sincera e honesta justamente porque é virtual.. adoro ler-te!

=)

Grace Olsson disse...

Crisz, que bom, viu?Estou como vc...4 anos de pura magia...mas sem dependencias...
Venho quando dar...venho quando sinto que posso...sem me esquecer do meu mundo real..Esse, querida,e stá bem vivo...e hoje, sabe hoje...minha filha casa...
beijos e dias felizes

Anônimo disse...

Good brief and this post helped me alot in my college assignement. Gratefulness you seeking your information.