2 de novembro de 2009

Quase piegas

Tá, concordo que até posso parecer piegas ou esse texto até parecer doutrinação.Corro o risco assim mesmo. A intenção não é essa mas ,quando o assunto é perdão o fio divisor é muito mais tênue...

Gosto de rever conceitos, sobretudo aqueles gerados a partir da educação recebida ou das influências sociais .Aquelas verdades que nem sempre sabemos se são verdadeiramente nossas ou se estamos cumprindo a tarefa de casa: "-Não seja bobo de ninguém!";"-Defenda-se senão o mundo te atropela!"; "-Se chegar em casa contando que apanhou, vai apanhar de novo!"; "- Dê o troco, meu filho!", e por aí vai.
Temos no cérebro uma memória que registra todos os fatos da nossa vida , por isto quem consegue perdoar não tem que, necessariamente, esquecer da ofensa recebida.Como competentes fabricantes de doenças que somos- sobretudo as da alma- o esquecimento de uma mágoa ou agressão sofrida é um primeiro socorro que dispomos para impedir que a energia ruim gerada a cada instante que se revive o fato aumente a ferida aberta ,que só faz aumentar e acumular sofrimento. E de graça. No entando , precisamos perdoar. O que é legal, na verdade, esquecer , é a mágoa, a raiva ou o ressentimento que o fato gerou, caso contrário o perdão é superficial ou até mesmo ilusório. O apego à ofensa faz o ofendido carregar sozinho a chaga constituída, e o esquecimento puro e simples muitas vêzes é ilusão.É como jogar o pó debaixo do tapete.O perdão é maior. Liberta.
Perdoar é bom para quem perdoa, já reparou?Quem perdoa livra-se de um fardo – o que nem sempre acontece com o perdoado. Mas isso já é problema dele...
Beijão, pessoal.
Boa semana preguiçosa!

8 comentários:

Jens disse...

Oi fêssora Cris.
Acho que não vai dar pra seguir teus conselhos - certos (maus) hábitos antigos são imutáveis. Além de não esquecer e não perdoar, eu fico, solerte, planejando a vingança (que, além de doce, também liberta).
Não sou ugly, mas sou bad, very bad.

Kisses in your heart.

Tenha uma boa semana. Pra cima com a viga!

Aninha Pontes disse...

É Cris
Nõ é mesmo fácil, nem perdoar, muito menos esquecer.
É um exercício árduo, que temos de pratica-lo todos os dias. Mas confesso, é muito difícil.
Tenho algumas mágoas, que não me envergonho de dizer, joguei para debaixo do tapete para continuar vivendo.
Acho que o nosso lado humano e pecador atrapalha.
Beijos meu bem.

Georgia disse...

Cris, esse tema é tema prá fazer psicanálise, viu. Foi sempre o grande mal da vida e continua sendo.
Quando eu era jovem costumava esquecer as coisas que me faziam com mais facilidade; talvez porque eu nao tinha ainda os olhos abertos para a vida. Ah! Que triste que eles abriram. Bem que poderiam ter ficado cegos até hoje e surda a té hoje para nao ter que ficar magoada com muita gente. Perdoar X esquecer, só se esquece se realmente perdoa?

Um grande beijo

infinitopositivo disse...

Cris, perdoar é um dom admirável, mas não acessível a muitos.

Existem atitudes que não magoam apenas uma pessoa, mas tem a capacidade de se propagar e prejudicar muito a vida de outras pessoas que nos são muito queridas. Já vivi situação assim e, embora essas outras pessoas atingidas já tenham perdoado, eu continuo sentindo por elas. É um estado muito complicado, assim eu continuo sofrendo com a mágoa.

Foi uma situação difícil, pois as pessoas perdoaram por iniciativa própria, por outros sentimentos que as envolvem.

Ainda acredito que tudo pode se modificar a partir do momento que o agressor tenha humildade suficiente para pedir perdão, mas principalmente agregar ao pedido a esperada mudança de comportamento.

Escrevi tudo isto para dizer que o perdão depende de muito mais que a nossa posse do próprio dom.

Quando o problema é grave, danoso, tento viver bem ignorando a existência da pessoa e até consigo. Minha mágoa é facilmente rebaixada a um nível bem inferior. Mas também é muito bom quando a outra pessoa se mostra arrependida e nos procura, ocasiões em que tenho o máximo prazer em receber, ouvir e perdoar.

De qualquer forma vibro com seu texto, na medida em que ele me parece o desabafo de um ótimo estado de espírito.

Beijão.

Ery Roberto

Georgia disse...

Sensacional as palavras do Ery; me vi em muitas situacoes que ele citou.
Adorei esse seu texto Cris e vim aqui lê-lo novamente no meu café da manha.

Um beijao

Luma Rosa disse...

Ainda não te disse que adorei o Brilho, né? Adorei!! :=)))

O perdão, não é para os fracos, é algo divino e sinceramente, ainda não alcancei a 'perfeição'. Guardo algumas mágoazinhas, mas isso não evita que eu tente apagá-las. Enfim, somos a soma de todos os sentimentos que vivemos e essa é a grande diferença entre nós, seres humanos. Boa semana! Beijus,

Do disse...

Confesso que já consegui perdoar sim. Não é facil.Os anos passam e são muitos.Mas chega uma hora que é preciso "virar a página" e esquecer aquela história.

Não é facil ,Cris. Mas vc disse bem: dá um alívio!!
Beijos!

dade amorim disse...

O difícil de perdoar é que aquele que prejudica o outro cria uma cerca - às vezes blindada - entre ele mesmo e o ofendido. Isso quer dizer que é muito difícil entender uma pessoa que nos ofendeu e os motivos que teriam levado a isso. Só mesmo com o tempo, talvez, ou, como diz o Ery, quando quem ofende reconhece o erro.
Além disso, quando se sabe que alguém é capaz de querer nosso mal, é instinto nosso evitar essa pessoa. Não guardo raiva de ninguém nem costumo me vingar, e não é porque sou uma boa menina, mas porque é muito chato aturar um mau caráter e muito mais chato ainda ficar maquinando coisas contra ele - e portanto deixar que ele ocupe tanto tempo e espaço em nossa vida. Essa distância também alivia, e como.
Mas tua teoria é bonita e nobre, Crisinha. Assim como você.

Beijo beijo.