23 de novembro de 2009

Cada um , cada um


O homem nasce bom e a sociedade o transforma em mau?Lancei esta pergunta em classe. A aula não era de filosofia (longe de mim tal pretensão) , eu queria apenas ilustrar o pensamento iluminista do século XVIII e sua influência no mundo das artes...

Virou uma polêmica só. Ainda imaturos e olhando apenas um só lado da moeda, alguns alunos se exaltavam em argumentos apaixonados de uma sociedade de consumo injusta. E com direito aos discursos populistas de praxe ; uns concordavam com a teoria sem maiores aprofundamentos , sem idéia formada; outros ainda defendiam a máxima " quem é bom nasce pronto", e ponto. Extremismos à parte , eu os observava com prazer .Eram combativos, convictos , muito embora ainda repetidores de conceitos e valores familiares . Teóricos , muitos conservavam velhos paradigmas dentro de sí , como o exemplo da mãe que cria dois filhos de maneira idêntica e , apesar disso, um vira mocinho e outro bandido. Lembrei-me nesse momento das tantas vêzes que por amor uma mãe pode fortalecer e estimular a auto estima de um filho mais tímido e retraído e pelo mesmo amor - e cuidado- reprimir o mais atrevido , sufocando-o. Claro que não serão criados da mesma maneira, embora pareça assim.
Gosto de pensar na individualidade de cada ser. De pensá-lo livre, com sua natureza perturbada ou não, com suas escolhas, caído numa família afetuosa ou não.Gosto de pensar em como somos livres para nos (re)construir quantas vêzes forem necessárias. Livres para deixar ou não os modelos sociais nos modificar. Nos sedimentar. Livre!
Beijos pessoal e uma ótima semana.

13 comentários:

Jens disse...

Oi Cristinete.
Já fui jovem, idealista e bom. Perdi quase tudo (ainda conservo, em formol, alguns ideais). Para os jovens, tenho apenas um conselho, à maneira de Nelson Rodrigues:
- Envelheçam!

Um beijo e uma boa semana pra você.

Georgia disse...

Cris, imagino a agitacao dentro da sala de aula. Me lembro que uma das minhas professoras uma vez fez algo assim, mas nao me lembro bem sobre que tema. Mas me lembro de 2 coisas: uma ela dividiu o quadro negro em duas partes e colocou duas palavras: positivo e negativo.
Conforme os nós alunos íamos nos manifestando dizendo como víamos a coisa, ela nos perguntava de que lado devo escrever isso? do lado positivo ou do lado negativo. Ela nos levou com essa atitude a pensarmos sempre que mesmo que nao concordávamos, para alguns a coisa era vista como positiva para outros na classe o mesmo pensamento era visto de forma negativa. Naquela aula aprendi que sempre vai existir duas correntes. Acredito que foi isso que ela quis nos ensinar naquele dia e eu adorei aquela aula, mesmo tao imatura e ingênua, alguma coisa ficou.

Um beijao linda e uma linda semana pra você.

Jacinta Dantas disse...

Nossa,Cris,
ontem, pela manhã, estive com um grupo de meninas e meninos - todos no momento explosivo da adolescência, com os olhinhos brilhando e a "obrigação" de estarem ali para conversar sobre afetividade-sexualidade. No movimento deles, foi impossível não me ver/rever os caminhos que fiz-faço-refaço. Agora, lendo-te, percebo essa construção que o Ser vai fazendo, descobrindo-se com liberdade apesar da forma que nos vai (com)formando nesse mundo.
Adorei seu texto.
Bjs e boa semana

Jonice disse...

Como mesmo que o Sartre disse?
Algo como ser mais importante
o que fazemos com o que fizeram
da gente. Não lembro a frase dele,
mas a essência eu retive justamente
por entendê-la como apontadora de
nosso processo de fazer escolhas.
Have a sweet nice week, dearest :)
Beijocas

dade amorim disse...

Esses debates costumam pegar fogo entre os jovens. E no meio dos argumentos - em geral bem iamturos, como você mesma diz - aparecem outros dados que a gente vai assimilando, aprendendo a conhecer melhor os alunos. Já vivi essa experiência, como aluna e como professora. É a melhor coisa pra abrir as cabeças e revelar personalidades.

Beijocas muitas, menina.

Aninha Pontes disse...

Pois é. Tentamos sim, criar nossos filhos de maneira igual, porém, cada ser é único.
Nenhum é igual ao outro, assim como so dedos das mãos.
E ainda tem o meio, que influi de forma considerável, na formação do indívíduo.
Mais, o mais legal aí, foi a aula né?
Um beijo meu bem.

DO disse...

Esta tal liberdade é que deve ser impulsionada,né Cris.Ah,a juventude...

Queria ter assistido a esta sua aula.

:)

Beijão!

Claudio Costa disse...

Muito interessante a proposta de lançar uma pergunta "filosófica". Gosto disso: "Mais importante que a resposta, é a pergunta. Uma pergunta suscita mil respostas" (J.L.Moreno).
Quanto a mim, responderia assim:
"O homem nasce como ser da natureza, portanto nem bom nem mau, mas dominado apenas pelos instintos, portanto sem moral. A vida em sociedade é que o empurra para a Cultura, inaugurando as noções de Bem e Mal, Bom e Mau, Certo e Errado, etc. Como diria Freud: "nascemos maus e temos que fazer esforço para sermos bons". Será?

Bete disse...

A aula deve ter sido uma delicia, alem de agregar conhecimentos. Nada como uma boa discussão abordando um tema tão polêmico e indefinido.
Bjs Querida

jorginho da hora disse...

É interessante observar que nesses assuntos quase ninguem tem opinião formada e sempre acabam lançando mão dos mesmos chavões e das mesmas idéias simpistas.

Mil beijos !

EDUARDO POISL disse...

"... E de novo acredito que nada do que é
importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas,
dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei,
todos os amigos que se afastaram,
todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada,
apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares

Abraços com todo meu carinho.
Um lindo final de semana com muito amor e carinho

shark disse...

Eu nasci peixinho dourado e a sociedade transformou-me num tubarão...
:)

tony disse...

Lembro que tirei uma boa nota quando respondi essas perguntas, em sala e nas provas. E certamente era dos poucos que gostava de discutir sobre isso, do alto da minha imaturidade e da objetividade do "fazer o melhor" que o sistema educacional nos impõe. Mas caminhei, vivi, escolhi, e fui me libertando, me moldando... te responderia essa pergunta hoje dizendo que a gente [genericamente] nasce. O resto é conosco e com quem nos permitimos [certas vezes, nos obrigamos] a acompanhar.

ah, e do outro post: acredito que quem baliza seus clientes pelo pior que pode ser, está pronto para demonstrar-se entre os piores profissionais de sua categoria, sejam elas quais forem.

beijos!