5 de junho de 2008

amor e sexo, jazz e rock




Sábado passado um lançamento imobiliário agitou o pedaço por aquí, tanto pelo produto diferenciado ( não conto quem é a arquiteta,hehehe ) como pelo requinte dos proprietários.Um casal sofisticadamente simples e elegante. O encontro varou a madrugada fria , ótimas conversas, pão temperado e assado na pedra acompanhando uma pasta de azeite e ervas importada provavelmente do Olimpo, vinhos, águas aromatizadas em lindos jarros transparentes com morangos , maçãs , ou ainda capim-do-mato. Uma banda de jazz complementava o ambiente.

Meu filho : " - Rola um clima entre os músicos, percebeu, mãe?".Era verdade. Entreolhavam-se a todo instante numa cumplicidade quase erótica .O baixista tinha a bunda mais perfomática que já ví e com ela demonstrava como os acordes podem mexer com nossas emoções. Olhavam-se de soslaio sorrindo em canto de boca, pareciam estar a sós naquele canto do salão.As pessoas pareciam não existir, a curtição era só entre eles .

Inevitável e divertido foi traçarmos uma paralelo entre a postura intimista de uma banda de jazz , que nos transforma em cara de paisagem e nos faz balançar o corpo e acompanhar o ritmo espontâneamente , com a de uma banda de rock, que nos agita e revitaliza ,dando-nos ilusória sensação de poder. Postura? rock não tem postura, mas atitude. Pensei no Jabor dizendo: jazz é amor, rock é sexo, jazz é prosa, rock é poesia. Acho mesmo que jazz é solidão e rock multidão.

Enquanto eu ficava alí admirando o talento do baixista , lembrava os velhos tempos quando eu e meus amigos atravessávamos a madrugada no "Parque Anhembí" ,em São Paulo, para vermos de perto nossas amadas bandas de hard rock que traduziam nossas vaidades, nossos anseios, nossa rebeldia : "School´s Out!" bradava Alice Cooper com todos os pulmões ,ainda quase saudáveis.

Não havia entre os rockeiros o menor sinal da cumplicidade "jazzística" que hoje percebo , disputavam entre sí não a perfeição do acorde, mas o maior ego,enquanto nós, platéia fissurada , banqueteava-mos com as migalhas de atenção que vez ou outra recebíamos dos ídolos quase deuses, que se achavam o máximo. Eram.
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Mulher moderna ,muita classe,bonita, trabalha pra caramba, tem humor numa profissão extremamente dura, tem compromisso social . A Tânia é tudo isso, é minha Autoridade aí nos links do lado direito ,junto do pessoal bacana que vou encontrando na net.
Obrigada pelo selinho, querida. Não sei se mereço, mas já peguei rápidinho e agradeço.
Como sempre, não vou repassar o prêmio. Não saberia escolher entre os "do coração".



Até domingo, pessoas...

Ósculos mil!

14 comentários:

LindaRê disse...

Será que não existe mesmo cumplicidade numa banda de rock?? Acho que sim, hein... rs
beijos

Ricardo Rayol disse...

só não entendi se era uma banda de jazz gay. rs.

Jonice disse...

Fiquei com cara de paisagem e corpo balançando ao ritmo do jazz... rsrsrs.

PC ainda não voltou pra casa.
Esse anda tirando mais férias do que devia!

Beijo :)

jorginho da hora disse...

Ainda amo hard rock, Cris. que barato saber seus gostos musicais.
Esse tipo de atitude dos musicos de jazz que vc relatou, entre os musicos não é muito incomum. Lembro-me de Caetano e Paulo ricardo durante um especial na globo, na maior lua de mél. Se uma mulher olhasse-me do jeito que os dos se olhavam, mesmo que por um segundo, me apaixonava loucamente. Lembro-me que Marcelo Nova batizou a cena de namoro na tv.

Cris disse...

Lindarê, minha fofa... Minha percepção hoje fatalmente irá diferir da tua, numa boa Sabe que adoro teus questionamentos? transmitem real interesse pelo assunto e por mim...rsrsr

beijão.

Cris disse...

Pô, Ricardo,não fica aí julgando, visse? rsrsrsr

beijo , rapaz.

Cris disse...

Folgadinho ele, né não, Joquinha???
Deve estar se recuperando de alguma aventura cibernética...rsrsrsrs

beijaço.

Cris disse...

Eu também me apaixonava,Jorginho, pelo olhar do músico, claro..

beijão, lindo.

CAntonio disse...

Cris,


Quer dizer que estávamos no show do Alice Cooper e nem nos vímos????

Imperdoável da minha parte...

GrandAbraço, bomfindi

Rico B. disse...

Usualmente voC6e me surpreende, mas neste post! *rs Bacana tb ver a interação entre vc e seu filho. Muito bom!

Grace Olsson disse...

Pelo visto o lançamento foi maravilhoso e os comes, bebes e ouve-se idem...
Tudo de bom.
bjs e dias felizes

Cris disse...

Rsrsrs, CAntonio...

Pois é, quís o destino que nos encontrássemos nesse meio assaz neurótico chamado web, com a carcaça um tanto depauperada pelo tempo, mas com o interior sofisticadamente aperfeiçoado - pelo menos é isso que se espera, fala sério?rsrsr

Um ótimo fim de semana pra você também.

Cris disse...

Rico, meu lindo...

A interação com a cria é geral e irrestrita. Fechada. Agora, quanto a te surpreender, devo encarar como elogio ?

Beijo,querido.

Cris disse...

Grace...

Pra você também, querida. Tua existência é muito importante para um monte de gente, portanto, cuide-se, tá bom??

beijão.